| Responsabilidade Socioambiental |
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Os números diferem muito dos registrados em estudos com americanos e ingleses. Nos EUA, metade dos cidadãos não crê na responsabilidade do homem pelo aquecimento global. Na Inglaterra, são 25%. Nesses países, mais do que aqui, o recente ataque dos negacionistas climáticos que tem confrontado duramente as pesquisas do painel de cientistas do clima das Nações Unidas fez crescer o número de céticos.
Especialmente no caso dos Estados Unidos, ideias que contestam ou atenuam o impacto humano nas mudanças climáticas costumam ter boa aceitação seja porque oferecem salvo-conduto para não deixar de lançar gases de efeito estufa seja porque reduzem a culpa por um estilo de vida considerado perdulário para o planeta muito conveniente. O país é, como se sabe, o maior emissor de CO2. E, em dezembro último, seu presidente, Barack Obama, ajudou a desandar o acordo do clima justamente por não aceitar metas de redução de emissões mais ambiciosas. Para os EUA e também para a China, sua grande concorrente no mercado global-- diminuir emissões significa abrir mão de crescimento, coisa que causa arrepios no norte-americano médio e seus representantes políticos no senado.
Outros números do estudo do Datafolha merecem atenção. Segundo os dados, o número de brasileiros que se consideram bem informados sobre o tema saltou de 20% (em 2009) para 34%. Isso é bom, claro. Talvez signifique um primeiro passo. Mas sentir-se bem informado não quer dizer estar preparado para fazer as mudanças individuais necessárias visando a reduzir o impacto ao planeta.
Nesse sentido, apenas para estimular uma reflexão, lembro de uma pesquisa feita pela Market Analysis, em 2007, em 18 países. Aquele estudo, o primeiro do gênero no País, revelou que os brasileiros estavam entre os mais preocupados do mundo com as mudanças climáticas. No entanto, 46% achavam que um indivíduo pode fazer muito pouco diante de um problema tão grave.
Considerando as variáveis competência e capacidade para mudar o quadro, o estudo identificou quatro grupos. O mais numeroso (40%) seria formado por pessoas com bom nível de informação sobre o aquecimento global, alinhadas com a atuação das ONG´s, críticas em relação às empresas, mas que não necessariamente fazem algo para mudar seu dia a dia. Apenas um em cada seis integrantes desse grupo, no entanto, mostrava-se consciente e mobilizado.
O segundo grupo reunia 38% de brasileiros bem informados sobre o problema, dispostos a adotar mudanças em seu estilo de vida e sensíveis à idéia de que é possível conciliar crescimento econômico com respeito ao meio ambiente. Eles acreditavam que, individualmente, podiam dar uma resposta mais clara do que a sociedade como um todo. O terceiro grupo (12%) confiava mais na sociedade do que em sua própria capacidade de mudar a situação. E o quarto (10%) não acreditava nem no potencial do indivíduo nem no da sociedade. Ambos se caracterizavam por uma postura desinformada e acrítica.
A considerar que esses dados seguem atuais e penso honestamente que sim-- são grandes os desafios brasileiros. O mais importante é mobilizar os indivíduos, fazendo com que percebam que pequenas ações de redução de pegada ecológica somadas a outras ações de consumo consciente no dia a dia podem fazer diferença na luta para esfriar o planeta. Como já foi dito logo após o fracasso de Copenhague, o aquecimento global é um tema importante demais para esperar que as soluções venham apenas de líderes de estado comprometidos mais com a sua política doméstica do que com o futuro saudável da grande casa que habitamos. Fonte : www.responsabilidadesocial.com |